Portas do ProDAL: A língua que se tece:

Coluna de segunda-feira ProDAL · leitura de aproximadamente 8 minutos

Frame: o mapa antes do território

Aqui cabe uma distinção que eu mesmo faço questão de marcar, porque é fácil escorregar nela. O Frame Linguístico não é o mesmo que o frame semântico de Charles Fillmore. Fillmore descrevia o fundo conceitual que uma palavra já dominada convoca, a razão pela qual “café da manhã” pressupõe toda a estrutura das refeições do dia. Isso explica por que uma palavra significa o que significa. O Frame que exponho é outra coisa: explica como se produz, com fluência, um enunciado inteiro. Os dois compartilham apenas a raiz histórica do “molde com lacuna”, e confundi-los é trocar uma teoria de produção por uma teoria de significado.

Core: o núcleo que gera um sistema

*Radificar é um neologismo criado por Lucas Matias para a tetralogia Preceitos, que significa a edificação de redes estruturais, semânticas e cognitivas desta obra.

Ragnatela: a teia que segura o sentido

Persona: quando a língua vira identidade

Para fixar

  • Frame trate a frase decorada como molde: descubra suas juntas e aprenda a dobrá-la.
  • Core não colecione peças soltas; trabalhe até elas virarem sistema que move a mão.
  • Ragnatela aprenda em rede, nunca em gaveta. Palavra sozinha é palavra que escapa.
  • Persona deixe a língua virar identidade. Fluência é quando você para de traduzir a si mesmo.

Obras da tetralogia Preceitos:

Leituras relevantes mencionadas:

Michael Tomasello, “Constructing a Language: A Usage-Based Theory of Language Acquisition”; Stephen Krashen, hipótese do input compreensível; Edgar Morin, pensamento complexo; Henri Bergson, o conceito de duração; e a pesquisa recente sobre repetição espaçada e consolidação da memória.

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